segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Estrada de Ferro Madeira - Mamoré

                                 Foto Edson

Há 108 anos, em 30 de abril de 1912, foi concluído o que se considera o último trecho da ferrovia Madeira Mamoré, popularmente conhecida como “Ferrovia do Diabo” em virtude do grande desafio desde o seu início. Estima-se que inúmeras vidas foram perdidas, aliás, que poucos foram os trabalhadores que sobreviveram à insalubridade, fome, doenças como malária e disenteria, falta de medicamentos, aliadas as condições de trabalho precárias que eram minimizadas e naturalizadas pelos empresários como um preço a ser pago em benefício do progresso.

A construção da estrada fazia parte do tratado de Petrópolis selado com a Bolívia em 17 de novembro de 1903, após compra de território boliviano pelo Brasil que corresponde ao estado do Acre, em que teve que se comprometer a construir a ferrovia Madeira Mamoré num prazo de quatro anos. A ideia desse empreendimento havia surgido no ano de 1861 por conta da necessidade de aumentar produção da colheita do látex devido ao alto preço da borracha no mercado mundial e a ocupação do Vale do Guaporé pelos portugueses.

O empreendimento Madeira-Mamoré Railway Company foi assinado pelos irmãos americanos Philips e Thomas Collins em 1877. No ano seguinte partiram da Filadélfia com engenheiros, demais trabalhadores e toneladas de máquinas, ferramentas e carvão mineral. No entanto, em janeiro de 1879 foi decretado à falência da empresa Collins.

O engenheiro norte-americano Percival Farquhar (1864-1953), considerado um dos maiores empresários da história do país, foi um dos responsáveis por tocar o empreendimento durante os anos de 1907 a 1912, mantendo o nome usado pelos irmãos Collins. A meta era atravessar os estados do Amazonas e Rondônia passando pela fronteira do Mato Grosso. O trem seguiria um trajeto de cerca de 350 quilômetros passando por perigosas corredeiras e cachoeiras da maior floresta tropical úmida do mundo.

A Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi inaugurada em 1912, mas, só daria lucro nos dois primeiros anos de atividade. Fato explicado pela queda vertiginosa da participação brasileira no mercado da borracha, propiciada pela ascensão da concorrência asiática que oferecia um produto de qualidade e de mais fácil extração. Logo, as atividades de Farquhar na Amazônia entraram em falência. Aluízio Pinheiro Ferreira, em 1937, a mando de Getúlio Vargas, assume a direção da ferrovia até 1966. Por fim, após 54 anos acumulando prejuízos, Humberto de Alencar Castelo Branco determina a erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré sendo substituída por uma rodovia.

Atualmente a Ferrovia segue rodeada de mato. E o que restou foi um trecho recuperado que atinge a Vila de Teotônio, Porto Velho, e alguns outros que foram recuperados para visitação ao maquinário que foram abandonados. O trem trafega de forma precária somente no primeiro trecho da ferrovia devido à ausência de recursos para a manutenção.

Vejam o mapa pertencente à Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional com traçado das ferrovias das seguintes companhias: Bolivia Railway, Brasil Railway, Paulista Company, Mogiana Company, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Dana B. Merrill foi contratado como fotógrafo oficial no ano de 1909 pela Brazil Railway Company – quando a ferrovia já possuía 74 km construídos – para fazer os registros dos avanços e dos percalços no campo das obras ferroviárias. No decorrer da sua passagem pela Amazônia, não registrou apenas as construções e trabalhadores, mas também se dedicou à fauna, flora e à população indígena que vivia na região. Seus registros do caminho do ferro seguem até o ano de 1910, quando se supõe que Merrill retorna para os Estados Unidos.

O álbum de Merril com fotografias em cianotipia e anotações sobre cada imagem pode ser conferido na BN Digital e é um importante registro para compreensão dessa construção tão conturbada: View of reviews or scenes as seen by Engineers, Tropical tourist, Global Trotters, Knights of fortune and Tramps: Madeira-Mamoré Ry. Brazil, South America.

Fonte:https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/madeira-mamore-ferrovia-diabo

sábado, 10 de outubro de 2020

Coronavírus:

A síndrome respiratória aguda grave (SARS) é uma doença respiratória altamente infecciosa de humanos com morbimortalidade significativa. O reservatório específico do hospedeiro animal permanece desconhecido, embora os morcegos-ferradura sejam reservatórios de coronavírus.Essa patologia é causada pelo SARS-coronavírus (SARS-CoV), que teve sua origem na China em 2002 a 2003 e teve seu genoma sequenciado evidenciando nenhuma relação com os coronavírus humanos ou animais previamente conhecidos,causando um surto global. É provável que o SARS-CoV tenha sido um vírus animal que se adaptou à transmissão humano-humano no passado recente. A presença deste animal reservatório implica que é possível que esse vírus novamente infecte seres humanos e inicie novos surtos de doenças.

adaptado:

https://www.sanarmed.com/resumos-sindrome-respiratoria-aguda-grave-sars-ligas







Manual de Libras para as Ciências: a célula e o corpo humano.

O manual de libras construído por iniciativa de um grupo de estudiosos da Universidade Federal do Piauí (UFPI) contribuíra no reforço de ações que possam ajudar alunos e professores surdos. 

Denominação :

Libras para as Ciências: a célula e o corpo humano.

Este e-book saiu pela Editora da UFPI em 2019, agora acessível gratuitamente para os interessados. Foi organizado por Bruno Iles, Taiane Maria de Oliveira, Rosemary Meneses dos Santos e Jesus Rodrigues Lemos

Aqui iremos fazer o máximo para que este manual chegue a quem já o espera por muito tempo, mas que, provavelmente, ainda não sabe da sua existência.

ACESSE GRATUITAMENTE:

https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf .


domingo, 15 de outubro de 2017

Dia do Professor



O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil.
No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.
Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia inovadora e revolucionária, teria sido ótima – caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

domingo, 20 de agosto de 2017

Educação

Educação não avança porque governos não ajudam

por Marcos de Aguiar Villas-Bôas — publicado 26/07/2017 13h41, última modificação 27/07/2017 10h02
Projetos vanguardistas - como de Eurípedes Barsanulfo, Anália Franco e Tomás Avelino - não têm sido aproveitados pelos governos, que se conformam com a mediocridade


educacao igreja.jpg

Em texto anterior, discutimos a evolução histórica inicial da educação no Brasil, começando pelos jesuítas, passando pela adoção do Método Lancaster e terminando, pouco tempo depois, com o retorno progressivo do ensino ao método simultâneo a partir de 1847, em detrimento do método mútuo, predominante por cerca de três décadas.
Ainda que alguns avanços tenham ocorrido nesse fim do período imperial e no início da República, nada de estrutural ocorreu. Como até hoje acontece com a maioria das vanguardas existentes dentro e fora do Brasil, asiniciativas mais relevantes em termos de educação ficam pouco conhecidas pelas pessoas em geral e até mesmo por boa parte dos educadores.
No interior de Minas Geais, por exemplo, o educador Eurípedes Barsanulfo criou, em 1902, com outros professores, o Liceu Sacramento, no município de mesmo nome, que viria a se chamar anos depois, com algumas mudanças educacionais, Colégio Allan Kardec.
O Brasil quase sempre tem suas boas iniciativas isoladas de vanguarda, mas o problema normalmente está na falta de visão, vontade e competência dos governantes para transformar essas exceções em regra, criando políticas eficientes para difundi-las, mas sem perder qualidade.
Muito antes do bom Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, publicado apenas em 1932, Barsanulfo aplicou em sua escola as salas mistas, com homens e mulheres, uma novidade para a época, além de, no método, apresentar uma educação mais focada na prática e na fixação de valores morais, seguindo a linha de autores estudados neste blog, como ComeniusRousseauPestalozzi e Rivail, ainda que não tivesse conhecido os posicionamentos da maioria deles.
Uma grande causa de atraso da educação brasileira foi, por muito tempo, a instituição Igreja Católica, que tentava manter, a todo custo, o seu controle sobre as escolas. Isso ficou claro quando adveio o referido manifesto em 1932, que trazia ideias progressistas e gerou um embate direto com a Igreja.
Após a proclamação da República em 1889, com a separação entre Estado e Igreja, esta buscou, com todas as forças, se manter no controle do país, e a educação, obviamente, é o principal meio de moldar as mentes dos indivíduos.
O Manual de Literaturas Estrangeiras, por exemplo, de autoria anônima, era um calhamaço de 660 páginas, de adoção obrigatória pelas escolas católicas, que criticava romancistas e outros pensadores estrangeiros que mudaram os rumos do mundo. A Igreja lançava um movimento contrarrevolucionário, tentando impedir as mudanças estimuladas pela revolução de 1930 e pelo movimento da Escola Nova.
Apesar disso, Eurípedes Barsanulfo, mesmo sendo inicialmente católico e depois espírita, tinha como parte importante do seu método o ensino da história das religiões em geral, sem doutrinação, revisitando fatos marcantes que determinaram a própria construção das sociedades, assim como os valores morais sustentados por elas, que, ao fim e ao cabo, afastadas as distorções, terminam sendo, em regra, muito parecidos.
É bom lembrar que, apesar de o manifesto ter vindo apenas em 1932, Rui Barbosa já vinha propagando as ideia da Escola Nova desde o final do século XIX, ganhando apoio de José Veríssimo e agitação de Olavo Bilac, mas os especialistas entendem que Barsanulfo, isolado no interior de Minas Gerais, não chegou a ter contato com essa proposta, intuindo boa parte das novidades que imprimiu à educação da instituição que criou. 
Outro marco da escola de Barsanulfo era a gratuidade e, assim, a abertura a qualquer tipo de aluno. Com isso, quebrou outro vício da época, mas que perdura de certa forma até hoje, o de separar a elite econômica e os mais humildes. A maior parte dos seus alunos eram, de fato, humildes, mas sua proposta alcançou tanto sucesso que terminou atraindo educandos das mais variadas origens socioeconômicas.
Assim como Pestalozzi, Barsanulfo investiu muito no amor no ensino, em lugar dos castigos corporais, ainda muito comuns à época. Hoje, apesar de ser raro e detestável o castigo corporal, as expulsões de classe, suspensões, proibições etc. são ainda muito comuns enquanto ferramentas educativas para moldar os comportamentos dos educandos, o que, com frequência, não soluciona o problema na raiz.
Numa relação educador x educando, é preciso que se entregue a este aquilo que ele deverá desenvolver em sua vida. É preciso estimular o desenvolvimento das faculdades naturais, e um meio básico de se fazer isso é sendo simplesmente um espelho, ou seja, agindo da forma como se queria que os educandos viessem a agir, explicando a eles porque se deve escolher o caminho “a” ou “b”.
O que se vê com frequência, contudo, é o educador descontar nos educandos as amarguras da vida, considerando suas transgressões de comportamento – e, às vezes, as mais brandas – ofensas que precisam ser apenadas de forma dura. Seja em presídios, seja nos lares, seja nas escolas, há variados estudos demonstrando que a dureza não é a melhor saída quando se quer desenvolver no outro comportamentos de maior paz, serenidade e amor.
Não se trata de leniência, mas de outra forma de lidar com os comportamentos indesejáveis, que pode ser menos hábil a extravasar a insatisfação do educador e que tende a exigir mais trabalho dele, porém que provoca mudanças mais profundas e com resultados muito mais efetivos naqueles que precisam ser educados para não agirem mais de determinada forma considerada inadequada.
Em regra, o indivíduo aceita melhor aquilo que lhe é sugerido quando admira e gosta daquele que lhe faz a sugestão. Por essa e pelas razões acima, é preciso que o educador seja preferencialmente alguém em paz de espírito, sereno, sábio, amoroso, para que possa ganhar a admiração e o afeto do seu educando, gerando, assim, um vínculo que facilita enormemente o processo pedagógico. Uma vez que se pretenda exigir tanto do educador, é necessário que ele seja mais bem preparado e remunerado. 
Segundo Alessandro Cesar Bigheto, um dos maiores especialistas na educação oferecida por Barsanulfo, seu programa era norteado “por princípios de educação ativa e respeito à liberdade de aprendizado, sem os tradicionais sistemas disciplinares. Apenas parte das aulas de Barsanulfo eram expositivas. Os alunos eram estimulados a agir diante do conhecimento. Nas aulas de ciências, observação e contato direto com a natureza; nas aulas de astronomia, investigação e análise dos astros e de aspectos do Universo. Para desenvolver o físico, praticava-se ginástica todos os dias. Havia aulas-passeio como método para se discutir e estudar os diferentes temas. Para se desenvolver a alma, os sentimentos morais e a reflexão ética provocavam-se ações que levassem a uma vivênvia ativa da cooperação fraterna”.
Outra educadora vanguardista no Brasil foi Anália Franco, que seguiu um projeto pedagógico semelhante ao de Barsanulfo, ficando conhecida como a Pestalozzi brasileira, por se dedicar à educação dos órfãos com o mesmo amor do pedagogo suíço, além de a vários outros projetos que ela criou em prol de excluídos e explorados. Conta-se que Anália teve acesso à vida e às ideias de Pestalozzi por meio de educadores portugueses.
Coincidência ou não, um terceiro educador, Tomás Avelino, que fundou a Escola Pestalozzi, em Franca/SP, no ano de 1944, havia passado 5 anos no orfanato Anália Franco em São Paulo/SP, onde teve contato com a proposta psicopedagógica daquela que fundou cerca de 100 instituições, dentre escolas, orfanatos e albergues. 
Após esse período, Avelino retornou a Divinópolis/MG em 1913 e, depois de alguns anos, em 1916, foi estudar no Colégio Allan Kardec em Sacramento/MG, com Eurípedes Barsanulfo.
Não é à toa, portanto, que Avelino tenha fundado, juntamente com sua esposa Maria Aparecida Rebêlo, que era professora, a Escola Pestalozzi. O dinheiro para a fundação da escola veio da Fábrica de Calçados Pestalozzi, de propriedade também dos dois.
Os Pioneiros da Escola Nova foram os primeiros a constituir um movimento organizado, e bem registrado no manifesto, por uma reforma estrutural na educação brasileira, mas obtiveram sucesso tímido, enquanto que as iniciativas isoladas mencionadas acima, algumas bem anteriores ao manifesto de 1932, produziram grandes frutos nos seus reduzidos cenários e ficaram ainda menos conhecidas do grande público e mesmo dos educadores. 
A despeito de alguns pequenos avanços aqui e ali, a estrutura da educação no Brasil é a mesma do século XIX: autoritária, doutrinadora, teórica, abstrata, segmentária das disciplinas, com pouca análise crítica moral, social, econômica e política, e menor ainda dialética. 
Isso porque, dentre outras razões, os governantes não souberam e não quiseram quebrar com o modelo tradicional a partir da difusão das diferentes iniciativas vanguardistas que aconteceram e acontecem no Brasil e no mundo.
É difícil de negar que a gravidade da crise moral, social, econômica e política pela qual o país passa esteja intimamente ligada ao fracasso da educação. Resta saber quem terá vontade, força e coragem para mudar essa realidade.