domingo, 20 de março de 2016

Dia Mundial da Água


História do Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido? A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) esta sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água” (leia abaixo). Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. 

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem. 

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia. 

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam. 

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. 

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. 

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis. 

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado. 

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. 

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra. 


Frases sobre o Dia Mundial da Água:

- Água é vida. Vamos usar com inteligência para que ela nunca falte.

- O futuro de nosso planeta depende da forma com que usamos a água hoje.

- Todo dia é dia de água, pois ela está presente em tudo e em todos.

- O Dia Mundial da Água não é só para pensar, mas principalmente para agir: vamos usar este recurso natural com sabedoria para que ele nunca acabe.

- Sem a água não haveria vida na Terra! Pense nisso neste Dia Mundial da Água.

- O uso racional da água hoje é a garantia deste importante recurso natural para as futuras gerações.



 















Você sabia?

- 2013 foi o Ano Internacional de Cooperação pela Água. O ano foi definido pela UNESCO como forma de incentivar o uso racional dos recursos hídricos do planeta.


https://nacoesunidas.org/














domingo, 13 de março de 2016

Zika Vírus



 














O Zika virus (ZIKAV) é um RNA vírus, do gênero Flavivírus, família Flaviviridae. Até o momento, são conhecidas e descritas duas linhagens do vírus: uma Africana e outra Asiática.
O principal modo de transmissão descrito do vírus é por vetores. No entanto, está descrito na literatura científica, a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.
A febre por vírus Zika é descrita como uma doença febril aguda, autolimitada, com duração de 3-7 dias, geralmente sem complicações graves e não há registro de mortes. A taxa de hospitalização é potencialmente baixa.
Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas, porém quando presentes a doença se caracteriza pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça e menos frequentemente, edema, dor de garganta, tosse, vômitos e haematospermia.. No entanto, a artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.
Recentemente, foi observada uma possível correlação entre a infecção ZIKAV e a ocorrência de síndrome de Guillain-Barré (SGB) em locais com circulação simultânea do vírus da dengue, porém não confirmada a correlação.



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 Orientações


Evento de saúde pública relacionado aos casos de Febre do Zika

Até 12 de agosto, foram confirmados laboratorialmente casos de Febre do Zika nos Estados da Bahia, Rio Grande do Norte, São Paulo, Alagoas, Pará, Roraima, Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Paraná e Piauí. O Ministério da Saúde está monitorando a circulação do vírus por meio da vigilância sentinela, incorporada pelos Estados e Municípios.

A vigilância sentinela envolve um número limitado de serviços selecionados para registro das informações. É utilizada para doenças comuns, nas quais a contagem de todos os casos não é importante e as medidas de controle não precisam de informações de casos individuais. Isso ocorre sempre que o processo decisão-ação não necessita de informações sobre a totalidade dos casos (notificação universal) para o desencadeamento das atividades de intervenção, como é o caso do Zika Vírus.

Orientamos que os casos confirmados de Zika vírus devem ser comunicados/notificados em até 24 horas, conforme Portaria MS nº 1.271, de 6 de junho de 2014. Reforça-se que a notificação realizada pelos meios de comunicação não isenta o profissional ou serviço de saúde de realizar o registro dessa notificação nos instrumentos estabelecidos, utilizando a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde – CID A92.8 (acesso a cópia da ficha de notificação/conclusão individual: http://dtr2004.saude.gov.br/sinanweb/novo/Documentos/SinanNet/fichas/Ficha_conclusao.pdf).

A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) vem recebendo notificações de casos com manifestações neurológicas e histórico de doença exantemática prévia. Esses achados estão sendo reportados em regiões com evidência de cocirculação dos vírus zika, dengue e/ou chikungunya, em especial nos Estados do nordeste.

A ocorrência de síndromes neurológicas após processos infeciosos pelo vírus da dengue e chikungunya está descrita desde a década de 1960, e com o Zika vírus desde 2007, especialmente após os surtos ocorridos na região da Micronésia e Polinésia Francesa. Dentre as manifestações neurológicas, é sabido que a síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma das mais frequentes.

A SGB é uma manifestação autoimune tardia que pode ser desencadeada por processos infecciosos ou não infecciosos. Apesar da maior parte das manifestações (2/3 dos pacientes) estar relacionada a processos infecciosos, isso não significa que seja exclusivamente por infecção relacionada à dengue, zika ou chikungunya.
                      
Entre janeiro e julho de 2015, alguns estados da região Nordeste notificaram à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) a ocorrência de 121 casos de manifestações neurológicas e Síndrome de Guillain-Barré com histórico de doença exantemática prévia. Investigações estão sendo conduzidas pelo Ministério da Saúde, Secretarias de Saúde de Estados e Municípios da região e outras instituições, como o Instituo Evandro Chagas (IEC/SVS/MS) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/MS), para subsidiar os Estados e Municípios com orientações amparadas em evidências mais robustas.


O que é a febre por Vírus Zika?
É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias.

Zika

Qual a distribuição dessa doença?
O vírus Zika foi isolado pela primeira vez em primatas não humanos em Uganda, na floresta Zika em 1947, por esse motivo esta denominação. Entre 1951 a 2013, evidências sorológicas em humanos foram notificadas em países da África (Uganda, Tanzânia, Egito, República da África Central, Serra Leoa e Gabão), Ásia (Índia, Malásia, Filipinas, Tailândia, Vietnã e Indonésia) e Oceania (Micronésia e Polinésia Francesa).
Nas Américas, o Zika Vírus somente foi identificado na Ilha de Páscoa, território do Chile no oceano Pacífico, 3.500 km do continente no início de 2014.
O Zika Vírus é considerado endêmico no Leste e Oeste do continente Africano. Evidências sorológicas em humanos sugerem que a partir do ano de 1966 o vírus tenha se disseminado para o continente asiático.
Atualmente há registro de circulação esporádica na África (Nigéria, Tanzânia, Egito, África Central, Serra Leoa, Gabão, Senegal, Costa do Marfim, Camarões, Etiópia, Quénia, Somália e Burkina Faso) e Ásia (Malásia, Índia, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Camboja, Índia, Indonésia) e Oceania (Micronésia, Polinésia Francesa, Nova Caledônia/França e Ilhas Cook).
Casos importados de Zika virus foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Austrália (12) Adicionar Ilha de Páscoa. 
Como é transmitida?
O principal modo de transmissão descrito do vírus é por vetores. No entanto, está descrito na literatura científica, a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.

Quais são os principais sinais e sintomas?
Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas, porém quando presentes são caracterizadas por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça e menos frequentemente, edema, dor de garganta, tosse, vômitos e haematospermia. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.
Recentemente, foi observada uma possível correlação entre a infecção ZIKAV e a ocorrência de síndrome de Guillain-Barré (SGB) em locais com circulação simultânea do vírus da dengue, porém não confirmada a correlação.
               
Qual o prognóstico?
Em suma, vem sendo considerada uma doença benigna, na qual nenhuma morte foi relatada e autolimitada, com os sinais e sintomas durando, em geral, de 3 a 7 dias. Não vê sendo descritas formas crônicas da doença.

Há tratamento ou vacina contra o Zika vírus?
Não existe O tratamento específico. O tratamento dos casos sintomáticos recomendado é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados. No entanto, é desaconselhável o uso ou indicação de ácido acetilsalicílico e outros drogas anti-inflamatórias em função do devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por síndrome hemorrágica como ocorre com outros flavivírus.

Não há vacina contra o Zika vírus.

A SVS/MS informa que mesmo após a identificação do Zika Vírus no país, há regiões com ocorrência de casos de dengue e chikungunya, que, por apresentarem quadro clínico semelhante, não permitem afirmar que os casos de síndrome exantemática identificados sejam relacionados exclusivamente a um único agente etiológico.
Assim, independentemente da confirmação das amostras para ZIKAV, é importante que os profissionais de saúde se mantenham atentos frente aos casos suspeitos de dengue nas unidades de saúde e adotem as recomendações para manejo clínico conforme o preconizado no protocolo vigente, na medida em que esse agravo apresenta elevado potencial de complicações e demanda medidas clínicas específicas, incluindo-se a classificação de risco, hidratação e monitoramento.

Como evitar e quais as medidas de prevenção e controle?
As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e chikungunya. Não existem medidas de controle específicas direcionadas ao homem, uma vez que não se dispõe de nenhuma vacina ou drogas antivirais.

Prevenção domiciliar
Deve-se reduzir a densidade vetorial, por meio da eliminação da possibilidade de contato entre mosquitos e água armazenada em qualquer tipo de depósito, impedindo o acesso das fêmeas grávidas por intermédio do uso de telas/capas ou mantendo-se os reservatórios ou qualquer local que possa acumular água, totalmente cobertos. Em caso de alerta ou de elevado risco de transmissão, a proteção individual por meio do uso de repelentes deve ser implementada pelos habitantes.
Individualmente, pode-se utilizar roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia quando os mosquitos são mais ativos podem proporcionar alguma proteção contra as picadas dos mosquitos e podem ser adotadas principalmente durante surtos, além do uso repelentes na pele exposta ou nas roupas.

Prevenção na comunidade
Na comunidade deve-se basear nos métodos realizados para o controle da dengue, utilizando-se estratégias eficazes para reduzir a densidade de mosquitos vetores. Um programa de controle da dengue em pleno funcionamento irá reduzir a probabilidade de um ser humano virêmico servir como fonte de alimentação sanguínea, e de infecção para Ae. aegypti e Ae. albopictus, levando à transmissão secundária e a um possível estabelecimento do vírus nas Américas.
Os programas de controle da dengue para o Ae. aegypti, tradicionalmente, têm sido voltados para o controle de mosquitos imaturos, muitas vezes por meio de participação da comunidade em manejo ambiental e redução de criadouros.

Procedimentos de controle de vetores
As orientações da OMS e do Ministério da Saúde do Brasil para a dengue fornecem informações sobre os principais métodos de controle de vetores e devem ser consultadas para estabelecer ou melhorar programas existentes. O programa deve ser gerenciado por profissionais experientes, como biólogos com conhecimento em controle vetorial, para garantir que ele use recomendações de pesticidas atuais e eficazes, incorpore novos e adequados métodos de controle de vetores segundo a situação epidemiológica e inclua testes de resistência dos mosquitos aos inseticidas.

Como denunciar os focos do mosquito?
As ações de controle são semelhantes aos da dengue, portanto voltadas principalmente na esfera municipal. Quando o foco do mosquito é detectado, e não pode ser eliminado pelos moradores de um determinado local, a Secretaria Municipal de Saúde deve ser acionada.

O que fazer se estiver com os sintomas de febre por Vírus Zika?
Procurar o serviço de saúde mais próximo para receber orientações.  


 
Em caso de dúvida, entre em contato com a Vigilância Epidemiológica das Secretarias Estaduais ou Municipais de Saúde.



Micro-organismo capaz de processar o plástico

A descoberta que pode ajudar a reduzir o excesso do material na natureza:

 
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A contradição que marca a vida útil de uma garrafa de plástico representa um sério problema ambiental: embora esse seja um objeto considerado descartável, ele é fabricado a partir de um material artificial que perdura por séculos. O resultado é uma montanha de polímero que cresce no ritmo de mais de 300 toneladas por ano, ameaçando a vida selvagem e ocupando os oceanos. Isso acontece porque, diferentemente da madeira ou do papel, esse derivado do petróleo não pode ser processado pelos micro-organismos responsáveis pela decomposição natural.


Uma boa notícia indica que a natureza está reagindo a essa disputa desigual contra o material feito pelo homem. Uma pesquisa japonesa mostra que a crescente presença do plástico pode ter levado ao surgimento de uma bactéria capaz de processar o PET, um dos tipos de polímero mais produzidos no mundo. É a primeira vez que se identifica um micro-organismo que pode processar completamente o produto.
Até então, apenas algumas espécies de fungo podiam quebrar o PET, mas eles são bastante lentos e exigem condições muito especiais para degradar o polímero. A nova bactéria, batizada de Ideonella sakaiensis 2011-F6, possivelmente é o primeiro micro-organismo que de fato usa o plástico como principal fonte de energia. “O PET tem uma estrutura cristalina e uma natureza química altamente hidrofóbica. Essa pode ser é a primeira bactéria que degrada o PET transforman-do em dióxido de carbono e água”, explica ao Correio Kohei Oda, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Kyoto e um dos autores do estudo.

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Em um artigo publicado na edição de hoje da revista Science, os cientistas revelam como encontraram a nova bactéria. Eles recorreram a um centro de reciclagem onde uma grande quantidade de PET havia sido exposta ao solo, à água de esgoto e a outros meios ideais para o surgimento de micro-organismos. A partir de 250 amostras, os pesquisadores realizaram testes para identificar culturas que estivessem transformando o material em algum tipo de subproduto. A análise possibilitou a descoberta da bactéria comedora de plástico, que foi então detalhadamente estudada em laboratório.
 
 
 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Alimentos para a Juventude

Segundo pesquisas recentes, alguns alimentos podem ser essenciais como "fonte para a juventude”. Vejamos:

1 – Batata doce pode manter a pele firme

Fonte de batata. a batata doce pode ajudar na produção de colágeno, essencial para evitar rugas. Mas cuidado para não comer esse tipo de batata frita, por que assim fica mais difícil de aproveitar as vantagens nutricionais do alimento. Dica: o alimento para aproveitar só o que ele tem de melhor!

2 – Frutas vermelhas e seus antioxidantes
Comidas bonitas e saudáveis (Foto: Reprodução)


Outra boa dica para manter a pele lisa – e o cérebro jovem – está em uma substância chamada antocianina, responsável pela bela coloração de frutas como morangos, framboesas, amoras e uvas. Segundo pesquisas, esse antioxidante foi capaz de manter o cérebro de ratos laboratório com menores taxas de toxinas.

3 – Feijões para o coração
Feijão para o coração! (Foto: Reprodução)
As fibras e as proteínas dos feijões são importantes para o coração, enquanto a vitamina B pode ser ótima na redução de inflamações na pele.



4 – Aveia (sem açaí)
Aveia na veia? Não... Mas pode ser uma boa para a sua saúde (Foto: Reprodução)


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A aveia é ótima para a pele, cabelos e unhas. As vitaminas presentes nela ainda são capazes de regulara o sistema nervoso, e suas fibras que são ótimas para o sistema digestivo!


5 – Leite no lugar do Sol? 
Leite pode substituir o sol! (Foto: Reprodução)
Segundo uma pesquisa de 2007, a vitamina D (normalmente adquirida com a exposição ao Sol) é capaz de melhorar a qualidade do nosso DNA nas células. Isso pode fazer com que o processo de envelhecimento desacelere, até mesmo ajudando a evitar doenças que são contraídas nessa fase da vida. E onde entra o leite? Ele é capaz de substituir aqueles minutinhos no Sol, pelo menos na questão do suprimento de vitamina D.

6 – Curry contra o Alzheimer?
Comida indiana é uma ótima para a medicina (Foto: Reprodução)

Usada na Índia há muito tempo para o tratamento de doenças como câncer de mama, cirrose e hemorroidas, o curry pode ser uma opção para o tratamento do Alzheimer. Pesquisadores encontraram componentes na especiaria que podem ajudar na ação contra as toxinas da doença.


7 – Sardinhas e anchovas são uma boa aposta
Anchovas!  (Foto: Reprodução)

Apenas encontrado em peixes, o Omega-3 pode ser um ótimo componente natural a agir contra o envelhecimento do cérebro. Além de tudo, sardinhas e anchovas são conhecidas por concentrarem quantidades menores de mercúrio, um problema muito comum no salmão, por exemplo.

8 – Chocolates!!! Mas apenas aqueles com grande quantidade de cacau...
Chocolate com muito cacau é uma boa (Foto: Reprodução)


Infelizmente, nem todo chocolate faz bem para saúde. Aliás, é o cacau que faz e não o doce que, normalmente, encontramos por aí! Chateado. A verdade é que, segundo pesquisas, o alimento é capaz de diminuir o risco de pressão alta e doenças cardiovasculares. Mas a recomendação é de que 
chocolates com porcentagem mínima de 75% de cacau possam realmente ser efetivos, já que os outros possuem muita gordura e açúcar.


9 – Gorduras “saudáveis” podem ajudar seu coração
Amendoim e óleo de azeite fazem muito bem para o ser humano (Foto: Reprodução)

Comidas como óleo de azeite e amendoins podem ajudá-lo a viver melhor. Segundo pesquisa,pessoas que comem esses alimentos possuem menores chances de sofrer doenças cardiovasculares. A dica de sempre? Não exagere e aproveite – ainda mais – aquele bom amendoim.


10 – Espinafre!
Espinafre é uma ótima! (Foto: Reprodução)


Mais competente do que nós – e o Popeye – imaginávamos, o espinafre está cheio de bons nutrientes. Vitaminas, ferro, luteína e zeaxantina são alguns dos principais componentes. Eles são capazes de fortalecer os ossos, melhorar sua visão e até mesmo diminuir seriamente os riscos de catarata.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Abelhas Ecológicas

 Foto: Ricardo Hantschel


Uma em cada dez espécies de abelhas silvestres da Europa está ameaçada de extinção, constatou um estudo publicado em março de 2015 pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Esta foi a primeira vez que todas as 1 965 espécies de abelhas europeias foram estudadas, incluindo dados de sua população, distribuição, tendências e ameaças.

O levantamento concluiu que, além de 9,2% das espécies estarem ameaçadas, outros 5% correm grande risco de entrar nessa lista em um futuro próximo. O documento mostrou ainda que 7,7% das espécies sofreram um declínio populacional, 12,6% estão estáveis e 0,7% estão aumentando. Os dados dos 79% restantes são desconhecidos, o que demonstra uma "alarmante falta de conhecimento e recursos", como apontou Jean-Christophe Vié, do Programa Global de Espécies da IUCN.

Dois terços dos alimentos que nós ingerimos são cultivados com a ajuda das abelhas. Na busca de pólen, sua refeição, esses insetos polinizam plantações de frutas, legumes e grãos.

 Em 2006, apicultores nos Estados Unidos começaram a notar que suas colônias de abelhas estavam desaparecendo. Cientistas investigaram e comprovaram o fenômeno, que foi batizado de colony collapse disorder (síndrome do colapso da colônia, CCD)devido a viroses. Sete anos depois, o sumiço continua: no inverno de 2012 para 2013, dado mais recente, 31% das abelhas americanas deixaram de existir.

 A escassez de polinizadores já afeta alguns cultivos. Em 2013, a queda na produção elevou o preço das amêndoas nos Estados Unidos em 43% em relação ao ano anterior, segundo informações do jornal The Telegraph. Pelo mesmo motivo, o quilo da oleaginosa na Espanha, outro produtor, chegou a quase 8 euros - o mais alto desde 2005. Na França, as vítimas foram as cerejas, que passaram a ser cultivadas na Austrália, menos afetada pela falta de abelhas. No Brasil, segundo especialistas, a redução de insetos afetou a plantação de maçãs, embora as perdas não tenham sido quantificadas. "Se o problema continuar, o modelo atual de fazendas vai se tornar insustentável. O custo de produção vai subir para o produtor e para o consumidor final, de modo que diversos fazendeiros podem acabar deixando a atividade", afirma o físico brasileiro Paulo de Souza, estudioso do tema na Organização Nacional de Pesquisa Científica e Industrial da Austrália.

Vilões:

Perda de habitat devido ao aumento das plantações, uso de inseticidas, desenvolvimento urbano acelerado e mudanças climáticas são apontados pela organização como principais causas para esse fenômeno.
Abelhas são essenciais tanto para ecossistemas selvagens quanto para a agricultura. A polinização de plantações que esses animais realizam é estimada em 153 bilhões de euros em todo o mundo e 22 bilhões só para a Europa. Das principais plantações para consumo humano na Europa, 84% requerem polinizações de insetos.


Pesticidas - A causa do sumiço é um mistério que intriga os pesquisadores, a começar pelo fato de os corpos dos insetos não serem encontrados nas colmeias ou arredores. Os animais desaparecem sem deixar rastros, e os especialistas acreditam que o motivo seja uma espécie de curto-circuito no sistema de localização das abelhas, fazendo com que elas se percam. A diversidade de espécies e as peculiaridades de cada país dificultam a investigação sobre o extermínio.

Entre os principais motivos apontados está o uso de pesticidas, especialmente os neonicotinoides, uma das classes mais utilizadas por agricultores. "Os neonicotinoides têm uma segurança grande com relação aos mamíferos, principalmente o homem, por isso são bastante utilizados. O problema é que eles afetam não apenas os insetos que são considerados pragas, mas os polinizadores também", explica Aroni Sattler, professor de agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo trabalho envolve ajudar apicultores a descobrir a causa da perda de suas abelhas.

As suspeitas levaram a União Europeia a banir os neonicotinoides por um período de dois anos, iniciado em julho de 2013, apesar dos protestos de produtores agrícolas e as multinacionais químicas e agroalimentícias. Nesse intervalo, será avaliado o impacto da proibição na agricultura e nas abelhas, para se decidir se a regra será mantida por mais tempo. "A medida é radical, mas necessária", diz Paulo de Souza. "Foi uma medida de precaução, mesmo critério adotado na criação do Protocolo de Kyoto."

Souza lidera um estudo que vai  instalar sensores em 5.000 mil abelhas para monitorar sua localização em tempo real e estudar as causas do extermínio. "As pesquisas nos mostram os fatores [que causam as mortes de abelhas] com alguma segurança, mas não sabemos ainda qual é o peso de qual um deles, nem como eles se combinam", diz.

Pragas - Além dos pesticidas, vírus, fungos, bactérias e outros parasitas são apontados como vilões. O principal é o ácaro Varroa destructor, que se agarra às abelhas, suga sua hemolinfa (o "sangue" dos insetos) e pode transmitir vírus aos animais.
A Austrália é, atualmente, o único país do planeta que ainda não foi atingido pelo Varroa. Para manter o status de abelhas mais saudáveis existentes, cuidados relativos à biossegurança foram adotados por lá. Segundo Souza, todos os aeroportos contam com cães especialistas em farejar frutas na bagagem dos passageiros, norma que evita a contaminação mesmo entre os Estados australianos.


Outras causas - A monocultura e o manejo inadequado das colmeias por parte dos criadores também atrapalham os insetos. Uma área de plantação extensa com apenas um tipo de planta, como a soja ou o girassol, faz com que as abelhas colocadas para trabalhar naquela região se alimentem de um tipo de pólen exclusivamente. A restrição causa má-nutrição, uma vez o pólen de cada planta possui uma composição diferente de proteína. "A abelha evoluiu com as plantas que se reproduzem por meio de flores, uma dependendo da outra, enquanto a monocultura é mais recente", explica Sattler.

Em busca de aumentar a produtividade, algumas práticas de manejo das colmeias estressam os animais, o que pode reduzir seu tempo de vida. De acordo com Paulo de Souza, criadores colocam uma espécie de "tapete grudento" na entrada da colmeia, que retém todo o pólen que a abelha recolheu durante seu voo, obrigando-a a sair novamente em busca de alimento.

Além disso, suspeita-se que a poluição do ar e até mesmo sinais de torres de celular poderiam 
influenciar o sistema de orientação desses insetos. Essas teorias ainda não foram comprovadas.
Enquanto o sumiço das abelhas não é desvendado, a ciência falha em encontrar formas de substitui-las. A solução mais próxima é colocar o próprio homem para fazer o trabalho. "Em regiões da China onde a população de abelhas foi reduzida drasticamente, fazendeiros de maçã precisam de empregados para fazer a polinização manual", afirma Rodolfo Jaffe, pós-doutorando do laboratório de abelhas da USP. A tarefa é realizada com auxílio de envelopes de pólen e um tipo de vareta com a qual os trabalhadores tocam as flores. Mas o processo é mais demorado e caro do que o das abelhas e menos eficiente.
Problema nacional - No Brasil, apicultores de diversos Estados têm relatado perdas substanciais - e muitas vezes inexplicáveis - em suas colmeias. Além de Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul estão entre os afetados. "Por enquanto, parece que temos casos mais isolados e em menor escala do que nos Estados Unidos e na Europa", afirma David De Jong, professor de genética da USP de Ribeirão Preto. Americano, ele veio para o Brasil na década de 1980 para estudar o ácaro Varroa - recém-descoberto na época.

Uma das razões é que as abelhas daqui são diferentes das mais comuns da Europa e dos Estados Unidos. A espécie brasileira é chamada de africanizada, porque sofreu cruzamento, há mais de cinco décadas. O resultado são insetos mais resistentes a doenças e capazes de se reproduzir mais rapidamente - com desvantagem de serem mais agressivos. "A abelha africanizada se adapta muito bem ao ambiente, exceto o frio excessivo. Por essa razão, ela não é utilizada na Europa", explica Aroni Sattler.

Para Lionel Gonçalves, professor aposentado da USP de Ribeirão Preto, o Brasil sofre com um uso indiscriminado de agrotóxicos, e não tem uma legislação de restrição efetiva. Lionel é um dos idealizadores do projeto Be or not to be (abelhas ou não ser, em tradução livre, fazendo um trocadilho com a frase de Shakespeare), uma campanha de proteção das abelhas, lançada no ano passado. O objetivo é alertar a população e buscar apoio para proteção dos insetos no Brasil e no mundo. A campanha está recolhendo assinaturas para uma petição, que deve ser entregue ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio Ambiente em novembro deste ano, exigindo ações efetivas no combate ao CCD.

Algumas medidas simples trariam grandes benefícios. "Os produtores poderiam aplicar os pesticidas na temporada certa, não durante as floradas, e com cuidado, apenas sobre o cultivo. Usá-los no fim do dia, quando as abelhas já estão em casa, também reduziria os danos", diz Sattler.


Mudanças Climáticas:

Em geral, cientistas e biólogos estão detectando uma expansão do “território” das espécies causada pelas mudanças climáticas. Por exemplo, no Hemisfério Norte, espécies como as borboletas já estão sendo encontradas cada vez mais ao norte, buscando temperaturas mais amenas. O problema, detectado pelo estudo, é que isso não está ocorrendo com as abelhas. A pesquisa identificou que elas estão desaparecendo no sul, por não aguentar temperaturas mais altas, mas não estão indo para o norte. Ou seja, a distribuição natural das abelhas estudadas diminuiu.

Isso acontece por causa da forma como as abelhas evoluíram. Elas não estão preparadas para enfrentar mudanças climáticas como as que estão em curso. Enquanto grande parte dos insetos surgiram em regiões tropicais – e por isso devem prosperar em um mundo mais quente –, as abelhas evoluíram na região de clima mais ameno, e têm dificuldade de sobreviver em um cenário de aquecimento. O resultado é que, nos últimos cem anos, as abelhas perderam mais de 300 quilômetros de território.

Para a pesquisadora Vera Lúcia Imperatriz, da Universidade de São Paulo (USP), que não participou do estudo, a pesquisa está sendo publicada em um momento importante, já que pode ser mais um subsídio para governos definirem um acordo contra as mudanças climáticas no final do ano. “As mudanças climáticas vão afetar as abelhas, sim, especialmente a distribuição delas. É um problema grave. Esse trabalho vem num momento muito importante, porque tudo o que se fala sobre mudanças climáticas pode ajudar em um acordo de sustentabilidade pós-2015”, diz Vera, do Conselho Científico da A.B.E.L.H.A.

O estudo da Science não analisou as seis espécies de abelhas Bombus que existem no Brasil, conhecidas também como mamangavas. Segundo Vera, entretanto, elas também estão ameaçadas. O desaparecimento das abelhas acontece no mundo todo, mas no Brasil, infelizmente, ainda há poucos dados e informações disponíveis para se saber com precisão sobre a escala desse declínio. No Brasil, os estudos estão mais focados na fragmentação dos habitats causado, por exemplo, por desmatamento ou urbanização, no uso excessivo de pesticidas e no impacto das monoculturas. Outra linha de pesquisa busca identificar o quanto as abelhas “trabalham” em prol da nossa agricultura, com a polinização. Estima-se que entre 70% e 75% das culturas agrícolas dependem em algum grau da polinização por animais.

Como evitar a extinção das abelhas?



 
Se as abelhas estão perdendo cada vez mais espaço, como protegê-las de uma extinção? Uma das sugestões do relatório publicado na Science é apostar na chamada “migração assistida”. Trata-se de migrar, artificialmente, as colmeias para locais com temperaturas mais amenas. “A realocação experimental das colônias de abelhas em novas áreas poderia mitigar a perda de território”, diz o estudo. É uma ideia controversa. As abelhas realocadas poderiam, em tese, competir com abelhas nativas ou transmitir doenças. Outra ideia é buscar refúgios nos biomas originais das espécies, mas com clima mais ameno, por exemplo, em áreas de morros. Políticas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas também precisam ser colocadas em prática pelos governo.

Mas nem tudo precisa ficar nas mãos do governo. Para Vera Lúcia, da USP, todo mundo pode fazer alguma coisa pelas abelhas. “Nós podemos incentivar a criação de jardins para as abelhas. Em vez de criar plantas ornamentais, que não atraem insetos, aproveitar uma flora nativa que possa acolher as abelhas”, diz. Ou seja, qualquer pessoa pode criar um pequeno refúgio para ajudar a salvar as abelhas em seu jardim.

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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Zika Vírus



Cientistas confirmam ligação do Zika Vírus com Microcefalia.


 



Zika Vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya. Sua primeira aparição foi registrada em 1947, quando o vírus foi encontrado em macacos da Floresta Zika, na Uganda. Entretanto, somente em 1954 os primeiros seres humanos foram contaminados, na Nigéria. O vírus atingiu a Oceania em 2007 e a França no ano de 2013. O Brasil notificou os primeiros casos de Zika em 2015, no Rio Grande do Norte e na Bahia.
Os cientistas revelaram ontem, 11, que traços do vírus foram encontrados no cérebro de um feto abortado, reforçando a ligação entre o vírus e um grave defeito de nascença. A autópsia constatou que o feto sofria de microcefalia – tamanho menor do que o normal da cabeça, bem como lesão cerebral grave e níveis elevados do vírus no tecido cerebral. 
O nível de vírus foi maior do que seria normalmente visto em amostras de sangue, de acordo com pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Ljubljana, Eslovênia. Os achados reforçam a associação biológica entre a infecção pelo Zika e a microcefalia, especialistas da Harvard observaram em um editorial que acompanha o estudo.
A grávida da Lituânia, foi infectada com o Zika na 13ª semana de gestação, enquanto trabalhava no nordeste do Brasil. Posteriormente, ela voltou para a Europa, já na 28ª semana de gravidez. Exames realizados uma semana mais tarde, revelaram que seu bebê tinha pequenas calcificações na cabeça e no cérebro, como visto em outros casos relacionados ao Zika. Verificou-se também que o feto tinha parado de se mover como deveria.
Após uma consultoria com especialistas, a mulher escolheu interromper a gravidez. Durante uma autópsia, observou-se que o cérebro do feto (um menino) era “manifestamente doente”.
Os pesquisadores disseram que a consulta genética, incluindo um histórico familiar detalhado, não revelou qualquer suspeita de síndromes congênitas ou doenças suscetíveis de desencadear microcefalia. Portanto, eles concluíram que o defeito de nascença foi causado pela infecção do Zika na mãe.
Eles observaram outros dois casos em que os fetos foram encontrados com microcefalia, e o vírus foi identificado no líquido amniótico que envolve o feto, fornecendo mais evidências de transmissão no útero, através da placenta.
“Para mim, é evidência definitiva. Não se fala em outra coisa entre os cientistas”, afirma o infectologista Esper Kallas, professor da USP (Universidade de São Paulo). “A moça estava em Natal no primeiro trimestre de gestação. Depois, encontram uma imensa quantidade de vírus no cérebro, com sequenciamento igual ao do Zika Vírus brasileiro. Para mim, acabou. Não resta mais dúvida”, diz Kallas.
O neotalogista Manoel Sarno, que também pesquisa Zika na Bahia também se entusiasmou com o estudo. “É fantástico, muito consistente, embora ainda vão dizer que é só mais um caso.” Ele já examinou mais de 80 crianças com microcefalia.
No entanto, para outra parte da comunidade científica, ainda serão necessários mais estudos para estabelecer essa relação. Em um editorial, especialistas em Harvard, dizem: “As conclusões deste relatório do caso não fornecem prova absoluta de que o Zika Vírus provoca microcefalia”. Entretanto, eles acrescentam: “Este caso torna a ligação mais forte”.
Eles disseram muito sobre as possíveis relações permanecerem desconhecidas, mas advertiram ser provável que mais mulheres sejam afetadas durante o surto. “Nós não sabemos se o momento da infecção durante a gravidez tem efeito sobre o risco de anomalias fetais e também não temos nenhuma ideia da magnitude desse risco”, disseram eles.
Na semana passada, a Organização Mundial de Saúde declarou o surto de Zika Vírus, espalhado através das Américas, uma emergência internacional de saúde por medo de uma ligação entre o vírus e microcefalia.
Até agora, 1,5 milhões de pessoas no Brasil foram infectadas com o vírus e cerca de 4.000 casos de microcefalia têm sido associados à doença.
O relato de um caso, publicado no New England Journal of Medicine, relata que trinta instituições de investigação científica das mais importantes do mundo, jornais e financiadores, hoje comprometeram-se a compartilhar gratuitamente todos os dados e conhecimentos sobre Zika Vírus para acelerar na luta contra a doença. “Os argumentos para a partilha de dados e as consequências de não o fazer, colocam em foco as quantidades absurdas de casos de Ebola e Zika Vírus”, disse um comunicado emitido pelos signatários de todo o mundo.

Especialistas saudaram a iniciativa, dizendo que ela mostrou como a comunidade global de saúde tinha aprendido lições cruciais com a epidemia de Ebola na África Ocidental, que matou mais de 11.300 pessoas e mostrou os cientistas lutando para realizar pesquisas para ajudar no desenvolvimento de tratamentos potenciais e vacinas. “No contexto de uma emergência de saúde pública a nível de preocupação internacional, é um imperativo todas as partes tornarem qualquer informação que possa ter valor no combate à crise, disponível”, escreveram os signatários.
Muito permanece desconhecido sobre Zika Vírus, incluindo seu potencial de causar defeitos de nascença ou outros problemas neurológicos. O Brasil investiga uma potencial ligação entre infecções por Zika e cerca de 4.000 casos de microcefalia.
 
Equipes de investigação médica e científica ao redor do mundo têm intensificado esforços para descobrir mais sobre a doença, incluindo vacinas ou tratamentos que possam combatê-la.
Mark Woolhouse, professor da Universidade de Edimburgo de doenças infecciosas, disse que o compartilhamento aberto de dados foi “um dos desenvolvimentos mais bem-vindos” que ele tinha visto em décadas. “Se posta em prática, essa declaração vai salvar vidas”, disse ele.
Signatários do acordo se prontificaram a compartilhar os frutos dessa pesquisa. Instituições como o Centro de Doenças, Controle e Prevenção dos Estados Unidos, a Fundação Bill & Melinda Gates, a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Instituto Pasteur da França, a Academia Real Britânica de Ciências Médicas e o Wellcome Trust estão envolvidas.
As revistas científicas, incluindo o New England Journal of Medicine, Nature, Science and The Lancet, se comprometeram a “tornar todo o conteúdo relativo ao Zika Vírus, de livre acesso”.
Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust e um dos signatários da declaração, disse que a pesquisa é uma parte essencial da resposta a qualquer emergência de saúde global. “Isto é particularmente verdadeiro para Zika Vírus, uma vez que tanto é ainda desconhecido sobre o vírus: como ele se dissemina e a possível ligação com microcefalia”, disse ele.
Trudie Lang, professor e diretor da Rede Global de Saúde da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, disse que se os dados são compartilhados cada vez mais, “perguntas podem ser respondidas mais rapidamente”.

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